domingo, 30 de janeiro de 2011

B U L L Y ... ING, " valentão?"

BULLYING, UM JOGO QUE NÃO HÁ VENCEDORES


Quando alguns alunos de qualquer série ouvem a palavra bullying, desviam do assunto como se já soubessem tudo, como se não praticassem ou fossem imunes ao assunto.
            Muitos pais quando se deparam com noticias de violência nas escolas, ficam estarrecidos e indignados, procurando os culpados pela situação.
            As agressões verbais e físicas, na maioria das vezes, ao contrário do que se pensa , não possui um motivo específico. Aliás, em muitas ocasiões, motivo algum. Normalmente, são grupos de jovens rivais em pensamento, atitudes e gostos. Não ir com a cara de alguém já é motivo para perturbá-la emocionalmente. E quando as palavras não são suficientes para machucar, então “te pego no final da aula, ou onde eu tiver vontade”.
            Mas onde estes infanto-juvenis aprendem a ter tanta intolerância, por certo na escola, anunciam alguns pais, é sempre comum achar o culpado na casa dos outros e medalhar a nossa como um exemplo de virtude e iluminação. Talvez na TV, na internet, com outros colegas, pois em casa ele não é assim. Esta frase se ouve muito, muitas vezes durante o ano, em casa ele não é assim.
            Em sala de aula, o assunto é amplamente debatido, com pesquisas, encenações e no momento da socialização tudo muito bem entendido, as regras de civilidade e respeito são esmeradas. E viva a diferença! Infelizmente, muito deste pensamento fica só na sala de aula naquele momento. Após tudo é apagado e no calor da ocasião o bullying acontece.
            Que geração é esta que estamos formando?
            Vemos em muitas regiões do Brasil acontecer a chamada Parada da Diversidade, que alguns homofóbicos teimam em chamar de Parada Gay. Uma demonstração clara da distinção entre os seres.
            Existem sim homossexuais, negros, tribos, crenças e religiões diferentes. E todos são pessoas que sentem, pensam, desejam, sonham. Conviver em sociedade é isso, respeitar a diferença.
            Origem, crença, opção sexual, não é crime, crime é o preconceito, a falta de respeito, a intolerância contra quem é diferente da gente, e se nossos infantos, não respeitam o diferente em sala de aula ou na sociedade, como serão quando adultos? Como criticar e questionar as crianças e jovens pelas atitudes de bullying, se os adultos também são intolerantes?
            Aliás os adultos, também são inflexíveis, fazem comentários desagradáveis diante dos filhos, sobrinhos e estes, na era da tecnologia com seus chips mentais, assimilam o que veem e ouvem e saem iguais aos adultos.
            Pois é, quem acha que pode mudar o mundo, comece mudando o seu pensamento, aproveite o seu momento na terra. O mundo não vai mudar porque você não gosta disto ou daquilo, mas sua situação no mundo muda se você mesmo não gostando, respeitar isto ou aquilo. Os diferentes não vão sumir, aliás, tendem a aumentar. Liberdade de expressão, autonomia, nos traz isto.
            Saber conviver é viver melhor. É qualidade de vida pra todos.
           
             

SAIBA MAIS
Segundo a lei Nº 14.651, de 12 de janeiro de 2009, artigo 2º, o bullying pode ser evidenciado através de atitudes de intimação, humilhação e descriminação, entre as quais:
I – insultos pessoais;
II – apelidos pejorativos;
III – ataques físicos;
IV – grafitagens depreciativas;
V – expressões ameaçadoras e preconceituosas;
VI – isolamento social;
VII – ameaças;
VIII – pilhérias.

Art.3º - o bullying pode ser classificado de acordo com as ações praticadas:
I – verbal: apelidar, xingar, insultar;
II – moral: difamar, disseminar rumores, caluniar;
III – sexual: assediar, induzir e/ou abusar;
IV – psicológico: ignorar, excluir, perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, tiranizar, chantagear e manipular;
V – material: destroçar, estragar, furtar, roubar os pertences;
VI – físico: empurrar, socar, chutar, beliscar, bater;
VII – virtual: divulgar imagens, criar comunidades, enviar mensagens, invadir a privacidade.

Sabendo o que é, poderemos orientar vítimas e agressores, buscando ajuda em serviços de assistência médica, social, psicológica e jurídica. A responsabilidade é de todos.


                                                             Déa Maffezzolli

sábado, 22 de janeiro de 2011

FATALIDADE, DETERMINISMO ... ACASO

NÃO TINHA NADA, PERDI TUDO

            Lágrimas pela perda material e humana. O Brasil chora! Nos últimos dias e anos consecutivos, as imagens se repetem com graus elevados de catástrofes. Com o desespero o ser humano vive uma dualidade entre o ajudar e o se ajudar. Diante disto para alguns o “ágape” acontece, o amor caridade, o desejo de auxiliar ao próximo. Outros de caráter dúbio aproveitam o desespero alheio para conseguir beneficio próprio, ganhando auxilio financeiro ou alimentar.
            Várias discussões aqui poderiam ser abertas, desde a falta de confiança em ajudar o próximo visto que saques e vendas de doações acontecem, até o apego aos bens matérias, partindo da reflexão de que à matéria se constrói a vida findada, não. Poderíamos discutir valores, sentimentos, porém, vamos nos ater a fatalidade e ao determinismo.
            O que vem acontecendo nas várias regiões do Brasil, é fatalidade ou determinismo?
            Fatalidade, é obra do destino, é inevitável. Acontecimentos em que ninguém pode ser culpado ou se sentir responsável.
            Já o determinismo é o fenômeno natural pelo qual todas as ações estão ligadas, tudo está fisicamente determinado.
            Quando tiro parte de um moro, e construo lá minha propriedade, quando mudo o curso de um rio, quando esgoto os recursos naturais em meu entorno, poderíamos pensar além, poderíamos pensar nas ações do cotidiano, como quando deixo de fazer a manutenção da casa, do carro, quando deixo de ir ao médico ou ao dentista com a frequência necessária, quando intervenho no relacionamento ou na vida pessoal e profissional de alguém, enfim, quando interfiro na ordem natural do universo, voluntária ou involuntariamente, consciente ou inconscientemente, posso chamar o resultado desta ação de fatalidade ou determinismo?
            Ao responder, reflita atitudes e ações. O barato e fácil, o comodismo e a falta de opção de hoje, minha intromissão na vida alheia, ainda que subjugada, pode ser a determinação na minha vida amanhã.
            E se a fatalidade e o determinismo não estiverem na sua resposta, tente o acaso, que é aquilo que não podemos prever.
No entanto, deixo ainda uma provocação, segundo a ética, existe o livre-arbítrio, ou seja, o homem tem liberdade de escolha em sua ação.
E agora, o que me dizes?

                                                                     DÉA MAFFEZZOLLI


                                               Fonte primária



"Todo homem se refugia na desculpa de suas paixões, todo homem que inventa um determinismo é um homem de má fé."              
                       ( O Existencialismo é um Humanismo, Sartre, p.81)
           

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O significado de um aperto de mão
           Passeando com o meu tio pelo bairro, um gesto simples realizado por ele, me fez refletir sobre nossas lições.
           Fim de ano, férias, tempo de descanso, de reflexão, e eu refleti.
          Meu tio, uma pessoa muito humilde, não estudou em grandes escolas, nem pode estudar, com problemas neurológicos, somando-se com os psiquiátricos, mora de favor e depende de um tutor para decidir sobre sua vida financeira e social.
            Sem pudores, não tem muitos amigos, mais e amigo de muitos. Ali a maldade não se instala, aquele sorriso no rosto desbanca qualquer mal humorado que chegue perto dele.
            Numa tarde comum, fomos passear num clube, frequentado por todo tipo de gente. Meu tio, com o sorriso e a risada costumeira, ao adentrar o ambiente estendia a mão e cumprimentava as pessoas que ali estavam.
           Alguns eram receptivos ao gesto, outros na maioria jovens e adolescentes, após receber a mão estendida voltava-se a risinhos escarnecidos e zombeteiros.
E assim, estendendo a mão e saudando com boa-tarde apertando as mãos entres os dedos, em frente aos rostos e olhando nos olhos, ele foi seguindo e sendo seguido pelo meu olhar.
           É, é o meu tio, mais poderia ser qualquer um. O que vi foi uma lição que vou levar comigo.
            Na maioria das vezes, os apertos de mão tem algum interesse. Se algum engravatado, e se for politico melhor ainda, estende a mão, centenas estão esperando para ampará-la.
Olhar nos olhos? Calma.
            O olhar revela muito do que queremos esconder.
Cumprimentar pessoas desconhecidas? O que ganho com isso?
Vivemos na grande maioria de aparência, interesse. Passamos por nossos vizinhos e nem sequer olhamos, e sempre achamos uma desculpa palpável pra justificar a atitude.  Por vezes, no local de trabalho o bom dia é pesado como ancora. Não nos misturamos com pessoas de má aparência, o que dirão de nós. Temos mais de duzentos amigos em sites de relacionamentos e menos de cinco com quem realmente podemos contar na vida real. Preocupamo-nos em entrar o ano de carro novo, pintar a casa, mudar a aparência. Somos perfeitos, os outros não enxergam isso.
Eu vi muita gente rir da atitude do meu tio. Gente? Será?
E ele? Segue feliz com suas limitações.  Com seu aperto de mão, com o seu sorriso, sua gargalhada, melhor que muitos. Que além dos problemas que tem, ainda procuram por mais. Ele é ele, ele não é aparência.
E você como é?
Como agiria diante de uma situação assim? 
Como você trata todas as pessoas? 
Reflita, pois não há tanto tempo assim!

                                                            Déa Maffezzolli

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Missão cumprida

         Ditado muito conhecido, “não se pode morrer antes de ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore.”
     Creio piamente que ter filhos é fácil, a dificuldade está em instruí-los, alimentar a personalidade para que sejam homens e mulheres éticos e dignos em qualquer sociedade.
      Quanto ao livro, tente escrever um. Um livro que prenda a atenção do leitor, fazendo com que ele devore-o até chegar ao fim. Que tenha conteúdo e não somente páginas.
      E a árvore? Deixo pra questionar! Nas condições planetárias em que nos encontramos, uma só é quase nada. Plante mil!
      Então modifico o ditado antigo, antes de morrer, crie bem um filho, plante mil árvores e escreva um bom livro, e se a história for a da sua vida, faça-a com um final feliz.


                                                                                Déa Maffezzolli

domingo, 26 de dezembro de 2010

 "CATARSEANDO"

          Que parte de nós mesmos tente "para a verdade"? A aparência tem menos valor que a verdade(...) ,  ao ler PARA ALÉM DO BEM E DO MAL de FRIEDRICH NIETZSCHE,  intrigada, obtive algumas conclusões.    
          Quanto mais observo, mais me apaixono pelas pessoas, paradoxos (...), um ir, agir, ser, falar, contrário sempre... cada qual cheio de significações, donos de suas verdades; como é maravilhoso participar de tudo isso, e vislumbrar o que poucos conseguem ver... a essência... embora há manipulação.    
          Onde está a falta de moral, no que manipula, induz, ou no que faz o "trabalhinho sujo"?
          Quando o humano vai pensar por si,  tirar suas conclusões e deixar de ser massa de manobra?
          Findando 2010, o baile de máscaras chega ao fim.  Em alguns já não se sabe mais onde é mascara, onde é face.
          Saint-Exupery, numa passagem do Pequeno Príncipe, nos diz: " É preciso suportar uma ou duas larvas se ao final quiser conhecer as borboletas".
           Pobres coitados, coléricos, sem opinião, raquíticos em seus conhecimentos, de vida desinteressante, se alimentando do viver alheio, confabulando, na espreita, armando (...), e enchendo suas vidas de vazios, doenças e desentendimentos.
           Foi um ano ruim pra você?
           Pense no quanto você foi ruim pra muita gente!
           E assim vão seguindo, sendo usados por seus pseudos amigos, cheios de verdade, com suas razões, de sorriso sarcástico e olhar armador.
           Tudo gira, é o que conforma.
           Gira mundo, é o que conforta. E quando sozinho estiver, pense no que fez, em quem é, e agradeça por estar na "MERDA", podia ser pior.
           E se conseguir , seja verdadeiramente feliz, neste Natal, se de uma chance. Só assim você para de viver a vida dos outros.
           O universo conspira, só você ainda não entendeu!

                                               Déa Maffezzolli